Dia 02/01/2011
Agora é só tentar dormir um pouco, pois já está tudo pronto.
Deu um pouco de trabalho, às vezes, acho que estou levando muita coisa e outra hora tenho a sensação de estar esquecendo algo.
Amanhã às 7:00h sairemos rumo ao fim do mundo, uma viagem há muito planejada.
Um beijo para meus amores, que levarei no coração, amo vocês demais, e obrigado pela força e incentivo.
Que DEUS nos acompanhe e ilumine nosso caminho.
Dia 03/01/2011
Foi iniciada nossa expedição, e para ajudar, muita chuva!!!
Os primeiros 400km foram debaixo de muita água.
Antes disso teve uma despedida calorosa com amigos e familiares, que apareceram para desejar boa viagem, a todos muito obrigado pela força.
Saímos de Indaiatuba às 7:40 debaixo de chuva, seguimos pela serra de Juquiá e depois a BR-116, até Curitiba-PR e por fim a BR-101 até São José-SC, chegando às 19:20h.
Nos hospedamos no Ibis, que tem uma boa estrutura e é ao lado da rodovia BR-101.
Segue o resumo do dia por moto:
KM rodados: 705,90km
Combustível:R$70,00
Alimentação: R$42,00
Hospedagem: R$ 57,50
Pedágio: R$5,80
Um abraço a todos, e se der amanhã postaremos mais.
Dia 04/01/2011
Concluímos o 2º dia de nossa expedição. Não rendeu como programamos, mas tudo bem. Estamos em Pelotas-RS, no cronograma inicial deveríamos estar em Chuí-RS porém devida a inúmeras obras na pista e vários trechos em pista simples com trânsito carregado a velocidade média foi abaixo do planejado.
Nossa idéia é compensar amanhã, planejamos almoçar em Punta del Este (Uruguai) e no fim da tarde chegar em Montevideo, se der tempo, pegamos um Ferry Boat para Buenos Aires (Argentina), do contrário fica para o outro dia cedo.
Gostariámos de agradecer pelo apoio de todo o pessoal que estão postando comentários, obrigado mesmo, é um incentivo muito importante para nós, continuem comentando.
Para não passar esse post sem fotos, segue algumas fotos por onde passamos.
Dia 05/01/2011
Saímos cedo do hotel, mas o percurso estava congestionado devido a diversas obras ao longo do caminho. Somente após Rio Grande-RS é que o trânsito na rodovia se aliviou, permitindo que alcançássemos uma boa velocidade de cruzeiro. Uma informação relevante é que, no Rio Grande do Sul e no Uruguai, motocicletas não pagam pedágio. Isso contrasta com os estados do Paraná e Santa Catarina, onde a cobrança é válida, sendo que, neste último, o preço é justo.
Prosseguindo com a viagem, chegamos à aduana para ingressar no Uruguai. Depois de preencher os formulários para o visto, seguimos com as motos pela fiscalização. O fiscal fez uma série de perguntas: "Tem documento da moto? Está em seu nome? Tem habilitação? Tem carta verde?". Eu (Leandro), que estava na frente, respondi afirmativamente e, surpreendentemente, o fiscal nos autorizou a entrar no país sem a necessidade de apresentar qualquer documento, confiando apenas em nossa palavra. Por sorte dele, somos pessoas honestas.
Inicialmente, pretendíamos atravessar o Uruguai sem parar, mas na alfândega havia um agente de turismo que nos sugeriu alguns locais para conhecer. Assim, decidimos visitar esses lugares, como vocês poderão ver nas fotos abaixo. Após o turismo, chegamos à cidade de Maldonado, onde nos hospedamos no San Fernando Plaza Hotel, que é excelente. Para o jantar, desfrutamos de uma PARRILLA, composta por vários tipos de carne bovina malpassada, que tivemos que solicitar para retornar à grelha. Após essa nova passagem pelo fogo, a carne ficou saborosa.
Dia 06/01/2011
Partimos cedo pela estrada rumo a Montevidéu para pegar o ferry boat (R$360,00 por pessoa + moto). Ao chegarmos em Montevidéu, a cidade parecia um verdadeiro deserto; mais tarde, descobrimos que no dia 06-01 é feriado de Dia de Reis.
Chegamos ao porto e o funcionário da Buquebus (empresa responsável pelo ferry boat) começou a nos apressar, pois os carros já estavam embarcando e estávamos prestes a perder a balsa que sairia em 5 minutos. Fomos comprar as passagens e, em seguida, empurrados para o check-in, arrastados para a migração e rapidamente enviados para embarcar as motos. Fomos os últimos a embarcar e, felizmente, chegamos à área de espera, que era bastante bonita e espaçosa, com assentos para todos. No entanto, os argentinos acreditam que, ao comprar uma passagem, também ganham um ou dois lugares para suas malas, resultando em muitas pessoas sentadas no chão e nos corredores. Quando reclamamos com uma comissária de bordo, ela afirmou que isso era comum. Abaixo, vocês podem ver algumas fotos da nossa situação durante as 3 horas de viagem.
Após chegarmos em Buenos Aires, fomos parados pela alfândega para verificação da documentação; tudo estava em ordem e pudemos seguir. A cidade é muito semelhante a São Paulo, um verdadeiro caos; ficamos rodando por cerca de 2 horas à procura de uma oficina para trocar o óleo da moto do Léo. Visitamos duas concessionárias da Honda, mas nenhuma realizava o serviço. Assim, compramos o óleo em uma loja e planejamos a troca para amanhã ou depois por conta própria. Já que o dia não foi tudo isso, decidimos nos acomodar em um bom hotel no centro, próximo ao obelisco da Avenida 9 de Julho.
À noite, saímos para jantar e experimentamos um prato típico da região—hambúrguer de parrillada no King Burger, que estava delicioso. Após isso, fomos fazer uma degustação de cerveja em homenagem ao nosso amigo Cesar (fotos abaixo).
E assim encerramos nosso 4º dia. Em breve, compartilharemos nossos custos, consumo de combustível, km rodado e outros dados que podem ser úteis a outros viajantes.
Dia 07/01/2011
Após um maravilhoso café da manhã, sem dúvida o melhor até agora, seguimos viagem. Ao sairmos de Buenos Aires, o primeiro posto de combustível que encontramos não tinha nafta (gasolina), então decidimos procurar outro e optamos por abastecer as motos a cada 100 km, para evitar surpresas indesejadas, já que antes estávamos abastecendo a cada 150 km.
Para deixar Buenos Aires, seguimos pela Autopista 01, um trecho curto, mas com cinco pedágios ao longo do percurso, nos quais pagamos PA$0,60 (aproximadamente R$0,30). Nas outras estradas, a passagem para motos é gratuita.
Em nossa segunda parada para abastecimento, encontramos um grupo de Caxias do Sul, do site http://www.fuscaustral.com/, que retornava de sua expedição. Eles estavam com quatro fuscas (dois deles com placas pretas), uma kombi e uma caminhonete. O pessoal era muito simpático e compartilhou dicas valiosas para nossa aventura. Se pudéssemos, teríamos passado o dia inteiro conversando. Visitem o site deles e confiram o relato da viagem.
Durante todo o trajeto de hoje, o que predominou foram retas intermináveis, vastos campos de girassóis e vegetação, muito mato à esquerda e à direita.
A poucos quilômetros de nosso destino, o tempo começou a fechar, com muitas nuvens e relâmpagos, mas, por sorte, conseguimos chegar antes da chuva iniciar. Chegamos ao hotel às 21h30 e ainda estava claro.
Dia 08/01/2011
O café oferecido no Hotel Belgrano, em Bahia Blanca, deixou muito a desejar: apenas dois croissants doces e uma xícara de café com leite bastante fracos. Nosso plano inicial para o dia era chegar a Puerto Madryn, na Argentina, mas ao pegarmos a RN 3 (Ruta Nacional 3), enfrentamos ventos intensos, o que fez com que o consumo de combustível aumentasse e nossa velocidade média diminuísse.
Em Rio Colorado, decidimos parar para abastecer e comer algo. Após abastecer, seguimos pela RN 22, e logo a chuva começou a cair com força, nos acompanhando por 100 km. Ao nos aproximarmos de General Conesa, a intensidade da chuva diminuiu, mas ao pararmos em três postos à beira da estrada, todos sem combustível, ficamos alerta.
O frentista do último posto que visitamos comentou que poderíamos esperar, pois o combustível estava a caminho. O posto mais próximo indicado pelo GPS ficava a 70 km de distância, então optamos por ir ao centro da cidade, onde encontramos um posto YPF que tinha gasolina. O mau tempo nos deixou bastante cansados, e decidimos passar a noite em Conesa. Encontramos um hotel na entrada da cidade, mas ao chegar, percebemos que estava fechado, embora estivesse mobiliado. Assim, restaram duas opções: seguir para Puerto Madryn (360 km) ou ir para Viedma (160 km).
Optamos pela segunda, em busca de um merecido descanso. Pegamos a RN 251 e rodamos alguns quilômetros quando a chuva voltou com toda a força, acompanhada de ventos fortes que faziam as motos se inclinarem. Não registramos esse trecho por causa da intensidade da chuva; nossa velocidade média caiu para 40 km/h e a visibilidade se reduziu a no máximo 50 metros. Apesar de estarmos com roupas impermeáveis, a água conseguiu entrar, e chegamos ao hotel completamente encharcados, quase alagando o saguão e o elevador.
Depois de um banho, saímos para jantar e decidimos ficar por ali no domingo para nos reorganizarmos e realizarmos a manutenção das motos.
Dia 09/01/2011
Estamos hospedados no Hotel Austral, em Viedma, a capital da Província de Rio Negro, que é equivalente aos estados brasileiros. Acordamos cedo, desfrutamos de um delicioso café da manhã e partimos em busca de uma lavanderia.
Às 9 horas, a cidade estava deserta. Encontramos uma lavanderia, mas estavam em plena limpeza e manutenção das máquinas e não puderam nos atender. A solução foi lavar as roupas na banheira do hotel. Fomos ao supermercado e compramos sabão. Assim, lavamos as roupas dessa forma e pedimos à equipe do hotel que as colocasse na secadora, pois sairíamos cedo na segunda-feira.
Aproveitamos para fazer uma manutenção básica nas motos: limpeza, lubrificação e calibragem dos pneus. O Léo trocou o óleo da moto dele e colocamos nossos equipamentos para secar. Demos uma volta pela cidade, mas não encontramos muitos atrativos turísticos, que servem mais como um local para pernoite. Amanhã, pretendemos sair cedo e, se tudo correr bem, chegaremos a Puerto Madryn.
Até mais!
Dia 10/01/2011
Após um dia de descanso, estamos de volta à RN 3, rumo a Puerto Madryn (novamente), e desta vez o clima está favorável, sem nuvens no céu. Partimos cedo, e ao consultar o GPS em busca de postos de combustíveis, recebemos uma surpresa: mais de 170 km sem abastecimento. A solução foi reduzir a velocidade e torcer para encontrar gasolina no primeiro posto.
Esse trecho da ruta 3 é bastante monótono, repleto de retas intermináveis e sem grandes mudanças na paisagem. Depois de percorrermos 175 km, finalmente chegamos a um posto da Shell, onde havia uma fila de veículos para abastecimento, o que era um bom sinal de que ainda havia combustível disponível. Com apenas três carros à nossa frente, um funcionário do posto checou a quantidade de gasolina no reservatório e chamou a gerente, que começou a dispensar os veículos na fila. Conversamos com ela, que nos informou que, caso houvesse combustível após abastecer os carros à nossa frente, ela poderia nos atender sem problemas.
Felizmente, o restante do reservatório foi suficiente para abastecer as duas motos, e logo após isso, o combustível acabou. O Léo conseguiu colocar 12,5L em sua moto, que tem capacidade para 13L, ou seja, se tivéssemos demorado mais um pouco, a situação teria sido complicada. Após esse susto, decidimos comprar galões de combustível novamente.
O próximo posto apresentava uma fila de aproximadamente 50 carros; havia combustível, mas provavelmente não duraria muito. Precisávamos encher nossos galões, mas não queríamos enfrentar duas horas de espera, então decidimos seguir em frente. O posto seguinte ficava a 30 km, mas infelizmente não tinha gasolina (uma situação que está se tornando comum). Resumindo, percorremos 120 km até encontrar outro posto, que, para nossa sorte, tinha combustível. Como estávamos próximos do nosso destino, optamos por não encher os galões.
Nesse trecho da RN 3, além da paisagem monótona, o calor era insuportável, alcançando 41ºC, o maior até agora. Estava tão quente que, ao abrirmos a viseira, um calor intenso entrava. Os últimos 100 km foram sob essa condição.
Finalmente chegamos a Puerto Madryn, que serve como base para quem deseja explorar a Península Valdez, lar de diversas espécies de animais e outros pontos turísticos do início da Patagônia argentina, como Punta Lomo e Punta Tombo. No nosso roteiro inicial, planejava-se visitar a Península, mas, para não comprometer nosso cronograma, deixamos essa visita para uma próxima oportunidade, quem sabe quando voltarmos com a família.
É isso, amanhã, 11/01/2011, seguiremos para Comodoro Rivadávia e, se o tempo permitir, faremos uma parada na pinguinera em Punta Tombo. Fiquem atentos para mais atualizações!
Dia 11/01/2011
Iniciamos o dia fazendo novas amizades e conhecemos um senhor muito animado da Áustria, que está participando de uma expedição ao redor do mundo. Serão 8 meses, 40.000 km e 16 motos, e sua esposa o acompanha, mas não na moto; ela viaja de avião até algumas das cidades por onde ele passa. Demos uma mão na lubrificação da corrente da moto dele, uma BMW 800.
Outra pessoa que conhecemos foi o Daniel, um argentino simpático de Mendoza, a terra do vinho. Ele estava se dirigindo a Ushuaia em uma Virago 750, carregando metade de sua casa, uma verdadeira quantidade de bagagem. Ele nos ofereceu algumas dicas sobre as estradas que iríamos percorrer, o que se mostrou bastante útil.
Saímos do hotel e seguimos pela RN 3, com muitas retas e um deserto ao nosso redor. Nosso primeiro destino era a colônia de pinguins de Punta Tombo. Para chegar lá, enfrentamos nossos primeiros quilômetros de rípio, uma estrada de terra repleta de pedras soltas.
A colônia tem uma boa infraestrutura para os turistas e é uma experiência interessante, pois nos permite ficar bem perto dos pinguins. No entanto, não é permitido tocá-los. Há muitos espalhados pela região; segundo o guia, existem cerca de 1.100.000 pinguins. Nós tentamos contar, mas perdemos a conta após avistarmos uns 100.000, todos muito parecidos.
Ao sairmos do parque, precisávamos abastecer as motos. No entanto, após passarmos por vários postos sem combustível, tínhamos duas opções: seguir em frente e arriscar encontrar um único posto a 80 km ou voltar 50 km para abastecer em um que sabíamos que teria. Optamos por voltar, garantindo assim combustível para 250 km e acesso a uma cidade com vários postos.
Tudo correu bem, mas chegamos tarde a Comodoro Rivadavia, e não havia vagas em hotéis de médio custo. Passamos por 8 estabelecimentos, todos lotados, exceto dois: um não parecia muito limpo e o outro era um cinco estrelas. Acabamos nos hospedando em um hotel quatro estrelas, o Lucaina Palazzo Hotel. Infelizmente, devia estar nublado no dia, pois daríamos no máximo duas estrelas a eles: não havia ar condicionado, internet, ventilador ou adaptador de tomada (as tomadas eram de três pinos do tipo chato). O único aspecto de quatro estrelas era realmente o preço. Pelo menos as camas e o café da manhã eram muito bons.
Dia 12/01/2011
Hoje foi um dia bastante intenso; saímos cedo do hotel, pois tínhamos pela frente cerca de 800 km até Rio Gallegos.
As fotos que tiramos foram poucas, já que a paisagem mudou pouco. A única diferença foi que em alguns trechos o oceano estava à nossa esquerda, proporcionando vistas muito bonitas.
Comodoro Rivadavia, conhecida como a capital do petróleo, exibe diversas bombas (creio eu) extraindo o material do solo. Encontrar combustível na região não foi um problema, mas é bom avisar que entre Cmdte. Luis Piedrabuena e Rio Gallegos não há postos de abastecimento, e a distância é de aproximadamente 230 km, então abasteça nesta pequena cidade.
Ao chegarmos em Rio Gallegos, o vento aumentou e a temperatura caiu consideravelmente, fazendo com que precisássemos colocar a segunda pele e o forro de inverno das jaquetas, que foram suficientes para nos aquecer.
À noite, a temperatura estava em 9ºC e fazia muito vento. Rio Gallegos se mostra uma cidade bem estruturada para turistas, uma parada praticamente obrigatória para quem se dirige a El Calafate ou Tierra del Fuego.
Dia 13/01/2011
No mesmo hotel onde estávamos hospedados, havia dois americanos da Califórnia. Eles chegaram de avião em Buenos Aires e alugaram duas motos: uma BMW e uma Transalp, com o objetivo de seguir até Ushuaia. Eram muito divertidos, e conversamos sobre as rotas que pretendíamos seguir no dia seguinte, ou pelo menos tentamos.
Saímos cedo, pois enfrentaríamos duas fronteiras na Argentina e duas no Chile, o que se revelou um processo demorado. Ao chegarmos, havia um ônibus de turismo lotado, e todos desceram para realizar os trâmites na aduana. A saída da Argentina é simples, mas para entrar, é necessário preencher alguns formulários; no Chile, a burocracia é semelhante, mas muito mais organizada.
Após passar pela aduana, entramos no território chileno e seguimos em direção à balsa que nos levaria até a Ilha da Terra do Fogo. Na galeria de fotos, há uma imagem do outdoor da empresa chilena responsável pela travessia do canal de Magalhães.
Enquanto aguardávamos a balsa, encontramos um casal de Guararema-SP, Marcos e Cecília, que estavam na estrada desde o final de dezembro de 2010. Eles também se dirigiam a Ushuaia, mas já haviam passado pelo Glaciar Perito Moreno, Península Valdez e, um dia antes, estavam em Punta Arenas, Chile. No entanto, ouviram rumores de que as fronteiras poderiam ser fechadas devido a manifestações no Chile e decidiram retornar à Argentina.
Desembarcamos na Terra do Fogo, com objetivo em Ushuaia, mas precisávamos abastecer e seguimos para a cidade chilena de Cerro Sombrero. Chegamos lá na hora da siesta, e o frentista do único posto só abriria novamente às 17:00, então fomos almoçar.
A cidade parecia deserta, sem uma alma viva nas ruas, mas encontramos um restaurante que também funcionava como confecção e decidimos comer lá.
Após o almoço, fomos abastecer as motos e, depois disso, optamos por seguir para Rio Grande ao invés de Ushuaia, pois o tempo avançava. Antes, porém, precisaríamos enfrentar 130km de rípio (estrada de terra repleta de pedras soltas) e passar novamente pelas aduanas chilena e argentina.
Na estrada de rípio, tentamos sempre seguir pela trilha dos pneus dos carros, já que o restante da pista era apenas pedras soltas e terra fofa. Fomos devagar e não tivemos complicações.
Depois das aduanas, percorremos mais 80km até chegarmos à cidade de Rio Grande, na Terra do Fogo, Argentina, que possui uma boa infraestrutura de hotéis. Durante nossa busca por acomodação, encontramos novamente os americanos, além do tiozinho da BMW, que também estava hospedado no mesmo hotel que nós.
Esse foi o resumo do nosso dia, amanhã Ushuaia nos espera.
Dia 14/01/2011
Saímos cedo do hotel e encontramos muitos motociclistas pela cidade; inclusive uma equipe da RBS estava por lá gravando um programa sobre o Fim do Mundo. Confira o blog aqui.
Tínhamos apenas 220 km até o fim do mundo, e as paisagens eram deslumbrantes, totalmente diferentes de tudo que já havíamos visto. Para completar, a temperatura estava bem fria, cerca de 9ºC.
Durante o trajeto até Ushuaia, cruzamos vários lagos, alguns de grande porte e outros menores, sempre com as montanhas de picos nevados ao fundo. Em um determinado momento, paramos à beira da Laguna Fagnano para tirar algumas fotos; o local transmite uma tranquilidade incrível.
Continuando nossa jornada, passamos ao lado do Lago Escondido e, ao subirmos uma serra, fizemos uma parada no Paso Garibaldi para admirar a vista. Confiram na galeria de fotos e tirem suas próprias conclusões.
Após diversas paradas, finalmente chegamos ao nosso destino: USHUAIA, a cidade mais ao sul do mundo. Foi uma emoção indescritível, uma verdadeira conquista.
Como chegamos cedo e já tínhamos reservado "una habitación", conseguimos fazer um passeio até o Glaciar del Martial. A estrada até lá é repleta de curvas e diversos hotéis incrustados nas montanhas. Ao chegarmos, a estrutura para turistas, que conta com banheiros, lanchonetes e um teleférico, já estava fechada, mas o parque permanecia aberto. Decidimos subir uma colina considerável e, sem dúvida, valeu a pena, o lugar é maravilhoso.
Já que o dia estava avançando, não teríamos tempo de chegar ao topo, então paramos ao fazer nosso primeiro contato com o gelo. Foi uma experiência divertida, registramos alguns vídeos, mas a neve estava bastante escorregadia. Quase pudemos ver flocos caindo; segundo algumas pessoas, horas antes havia neve na trilha, mas deixamos isso para uma próxima vez.
Dia 15/01/2011
Para hoje, agendamos um passeio de barco pelo Canal de Beagle, mas antes seguimos até o final da Ruta Nacional 3 (RN3), a estrada que tomamos saindo de Buenos Aires, completando um trajeto de 3079 km até aqui.
O término da ruta se encontra no Parque Nacional Tierra del Fuego, na Bahia Lapataia. Para chegar lá, passamos pela Estação de Trem do Fim do Mundo, mas optamos por ir de moto.
Para quem não sabe, Ushuaia foi estabelecida como uma colônia penal, então em diversos pontos turísticos há referências a esse passado, com imagens, figuras ou outros adereços.
No Parque Nacional Tierra del Fuego, é permitido entrar com seu próprio veículo, que é muito bem sinalizado e organizado. O primeiro local em que paramos foi na Enseada, onde se encontra o Correio do Fim do Mundo. Como tínhamos alguns postais para enviar à família, aproveitamos para despachá-los dali.
Prosseguimos em direção à Bahia Lapataia e ao final da ruta 3. Encontramos um grupo de Porto Alegre que estava percorrendo a Ruta 40 completa, que totaliza 2000 km de rípio e começa perto da Bolívia.
O lugar é bastante movimentado; todos querem tirar fotos ao lado da placa que marca o fim da ruta, mas há um bom espaço entre as pessoas, tornando o ambiente relativamente organizado.
Na parte da tarde, realizamos o passeio de barco pelo Canal de Beagle. O barco estava cheio e o roteiro incluía avistar os lobos marinhos, o farol do fim do mundo e os pinguins.
Após passarmos pelo farol, antes de chegarmos aos pinguins, conseguimos avistar a cidade chilena de Puerto Williams, possivelmente a mais ao sul do mundo, acessível apenas por via aérea ou marítima.
O passeio foi interessante, mas a visita aos pinguins não compensou; a distância era grande e houve momentos entediantes. Não recomendo a ida até a pinguineira; um retorno no farol torna a experiência mais agradável.
Dia 16/01/2011
Nossa idéia era de sair de Ushuaia, ir para Porvenir no Chile e cruzar o Estreito de Magalhães para a cidade de Punta Arenas, porém, nossos planos foram por água abaixo.
Esta tendo uma série de manifestações por populares na fronteira do Chile com a Argentina, eles estão protestando sobre um reajuste no gás, o problema é que estão fechando as fronteiras e acesso a pontos turísticos, por causa disso resolvemos ficar mais um dia no fim do mundo, para ajudar ainda estava chovendo.
Aroveitamos para arrumar a bagunça, tirar mais algumas fotos e foi só.